Ela,
Saltitante, reluzindo por entre as luzes da alta madrugada,
Insolente.
Quero tocar-lhe com as mãos por mais um tempo,
quero cravar em meu pensamento a lembrança do teu sorriso
mais bonito,
quero que venhas... Se puder, traga a chuva, para molhar as
incertezas ou certezas que nos faz pesar.
Vem, escuta o barulho da chuva... Deixa que os astros te
guiem...
Vem, deixa a solidão pra depois. Só hoje...
Hoje, eu tenho bons motivos que te prendam aqui, essa noite.
Hoje, eu aceito seus erros.
Não pretendo ver devaneios, nem gritos de partida...
O tempo parece está voltando com luz.... Quem sabe, hoje não
podemos caminhar. ?
Mochilas nas costas, novamente carregadas de incertezas,
rasgando solidão a cada passada que desvio o olhar. Vejo você do meu lado.
Jovem, parece bem. Bem?
Feita a sal... ao amargo das dores, sem querer, se deixa levar pelas cores. As minhas cores!
Eu uso vermelho. O vermelho manchado da boca de uma puta,
que vemos na nossa caminhada.
Você usa preto. O preto da escuridão que se anuncia...
Silenciou...
(Por que tocas as tuas mãos nas minhas?)
Seguro tua mão. Entrelaço meus dedos por entre os teus. Se
sente mais segura?
A madrugada está por terminar... E agora?
E esse brilho no seu olhar, é medo de ir, ou vontade
repentina de ficar?
Silenciou... A
madrugada findou...